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	<title>área permeável &#8211; Athom projetos e consultoria</title>
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	<title>área permeável &#8211; Athom projetos e consultoria</title>
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		<title>Área permeável: a faixa de alta tensão que virou 50 lotes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Athom]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 21:10:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cases Athom]]></category>
		<category><![CDATA[área permeável]]></category>
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					<description><![CDATA[Existe um prejuízo que não aparece em planilha nenhuma: o lote que nunca chegou a existir no papel. Ele não gera multa, não atrasa cronograma, não trava processo em órgão nenhum. O projeto é protocolado, analisado e aprovado normalmente. E]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Existe um prejuízo que não aparece em planilha nenhuma: o lote que nunca chegou a existir no papel.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele não gera multa, não atrasa cronograma, não trava processo em órgão nenhum. O projeto é protocolado, analisado e aprovado normalmente. E o empreendedor nunca fica sabendo que o terreno dele comportava mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A causa costuma ser a mesma: tratar a aprovação como teto, quando ela é o piso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O caso abaixo é sobre um projeto no interior de </span><b>São Paulo</b><span style="font-weight: 400;">, e a diferença entre o projeto que chegou até nós e o que foi aprovado se mede em cinquenta lotes. A chave estava numa exigência que quase todo mundo trata como obstáculo: a </span><b>área permeável</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<h2><b>O impasse: as lagoas de detenção não cabiam</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Fomos contratados para desenvolver o pacote de infraestrutura: terraplenagem, drenagem e saneamento. O projeto urbanístico já vinha fechado, desenhado por terceiros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema apareceu no dimensionamento das </span><b>lagoas de detenção</b><span style="font-weight: 400;"> das águas pluviais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale explicar por que esse dispositivo não é negociável. Quando uma gleba vira loteamento, o solo é impermeabilizado: ruas, calçadas, telhados. A chuva que antes infiltrava passa a escorrer, mais rápido e em volume muito maior. Sem amortecimento, o empreendimento empurra a cheia para quem está a jusante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A lagoa segura esse pico e devolve a água ao corpo receptor na vazão anterior à ocupação. </span><b>Ela precisa caber.</b><span style="font-weight: 400;"> A única pergunta é onde.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, pelo desenho recebido, não havia onde. A gleba não tinha folga: nenhuma </span><b>área permeável</b><span style="font-weight: 400;"> ou área verde excedente ao mínimo exigido.</span></p>
<h3><b>A conta que o mercado aceita</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse ponto existe uma saída óbvia, e ela é péssima: sacrificar lotes residenciais para abrir espaço para as lagoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lotes que saem da planta, do VGV e do lucro estimado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a maioria dos escritórios, a conversa terminaria aqui. Refaz-se o quadro de áreas, comunica-se a perda ao cliente, segue-se o projeto. Tecnicamente correto e é uma conta paga pelo empreendedor por uma limitação que ninguém questionou.</span></p>
<h3><b>A reunião que mudou o projeto</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O que aconteceu na Athom foi diferente, e vale contar como aconteceu de verdade.</span></p>
<p><b>Bruno Marques</b><span style="font-weight: 400;">, engenheiro ambiental e civil, dimensionava as lagoas. Ele não engoliu o impasse sozinho: levou o problema para a reunião de equipe. Faltava área, e a única solução à mesa custava lotes.</span></p>
<p><b>Carolina Viamonte</b><span style="font-weight: 400;">, responsável pela gestão de projetos, conhece o rito de aprovação a fundo. Foi dela a pergunta que destravou tudo: </span><i><span style="font-weight: 400;">e a Resolução SIMA 80?</span></i><span style="font-weight: 400;"> A gleba era cortada por uma linha de alta tensão, uma faixa de servidão que o projeto anterior tinha descartado como espaço perdido. Se a resolução estadual permite computar aquela área como </span><b>área permeável</b><span style="font-weight: 400;">, o quadro de áreas inteiro muda.</span></p>
<p><b>Carla Peixoto</b><span style="font-weight: 400;">, arquiteta e urbanista, consultou legislação municipal para confirmar se a tese se sustentava naquele município.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sustentava. E aí o problema deixou de ser &#8220;onde colocar as lagoas&#8221; e passou a ser &#8220;quantos lotes cabem no espaço que sobrou&#8221;.</span></p>
<h3><b>O que a lei diz sobre área permeável em faixa de servidão</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto que o projeto anterior não enxergou é que existem </span><b>duas exigências diferentes, de dois órgãos diferentes</b><span style="font-weight: 400;">: e que uma mesma faixa de terra podia satisfazer as duas ao mesmo tempo.</span></p>
<p><b>Exigência 1 — o estado, via Resolução SIMA 80/2020.</b><span style="font-weight: 400;"> A</span><a href="https://semil.sp.gov.br/legislacao/2022/07/resolucao-sima-080-20/" target="_blank" rel="noopener"> <span style="font-weight: 400;">Resolução SIMA 80/2020</span></a><span style="font-weight: 400;"> exige </span><b>20% de área permeável</b><span style="font-weight: 400;"> no empreendimento — solo que infiltra água. E é explícita sobre o que pode compor esse índice: entre outras, as </span><i><span style="font-weight: 400;">áreas de servidão administrativa referentes às linhas de transmissão, gasodutos e oleodutos</span></i><span style="font-weight: 400;">, desde que garantida a permeabilidade. Essas áreas podem entrar no cômputo até o teto de </span><b>10% da área total</b><span style="font-weight: 400;"> da gleba.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou seja, para o estado: a faixa de alta tensão não é área morta. Ela conta como </span><b>área permeável</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>Exigência 2 — o município.</b><span style="font-weight: 400;"> Separadamente, a a lei municipal referente a este projeto exige </span><b>20% de área verde</b><span style="font-weight: 400;">, uma destinação do quadro de áreas, não um índice de infiltração. São coisas distintas: a área verde é espaço doado; a área permeável é uma função hidrológica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é aqui que está a exceção que resolveu o caso: onde existe linha de alta tensão sobre o imóvel, o município aceita reduzir a área verde para </span><b>15%</b><span style="font-weight: 400;">, desde que os </span><b>5% restantes fiquem dentro dessa faixa</b><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>A jogada foi usar a mesma faixa para atender os dois órgãos.</b><span style="font-weight: 400;"> Ela conta como área permeável para o estado — e cobre os 5% que o município liberou da área verde. Com isso, 5% da gleba deixaram de precisar ser área verde e voltaram a ser lote. A exigência ambiental continuou integralmente cumprida: a permeabilidade desses 5% passou a ser atendida pela faixa, que a SIMA aceita computar.</span></p>
<h3><b>A conta do projeto</b></h3>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Faixa de servidão</span></td>
<td><b>41.300,00 m² — 9,57% da gleba</b></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Necessário para liberar os 5% de área verde</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">5% da gleba</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Teto da SIMA 80 para faixas (10% da gleba)</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">~43.156 m²</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-weight: 400;">A faixa representava 9,57% da gleba, </span><b>quase o dobro</b><span style="font-weight: 400;"> dos 5% que o município exige na faixa para liberar a redução da área verde, e ainda assim couberam dentro do teto estadual de 10%.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a área verde reduzida de 20% para 15%, </span><b>5% da gleba</b><span style="font-weight: 400;"> deixaram de estar comprometidos. Esse espaço absorveu as lagoas de detenção e devolveu área ao produto, enquanto a permeabilidade seguia cumprida pela própria faixa.</span></p>
<h3><b>Por que não foi preciso anuência da concessionária</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta é a primeira pergunta que um engenheiro experiente faz e a resposta é o ponto mais importante do caso.</span></p>
<p><b>Nada foi construído na faixa.</b><span style="font-weight: 400;"> Nenhum equipamento, nenhuma rua, nenhuma rede. A faixa entra </span><b>exclusivamente no cômputo numérico</b><span style="font-weight: 400;"> da </span><b>área permeável</b><span style="font-weight: 400;"> exigida. Ela permanece exatamente como estava: solo livre, sem edificação, cumprindo a função hidrológica que a norma quer preservar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A anuência da concessionária de transmissão é necessária quando há </span><b>intervenção física</b><span style="font-weight: 400;"> como atravessar com uma via, lançar uma rede de drenagem e implantar equipamento. Não é o caso aqui.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é justamente por isso que a tese se sustenta: as normas das concessionárias vedam construção, depósito de material e áreas de lazer ou esporte dentro da faixa. </span><b>Nenhuma delas veda o solo de continuar infiltrando água.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Permeabilidade é função do solo. Não do uso.</span></p>
<h3><b>O resultado</b></h3>
<table>
<tbody>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Área vendável antes</span></td>
<td><span style="font-weight: 400;">175.606,91 m²</span></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Área vendável depois</span></td>
<td><b>183.461,98 m²</b></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Acréscimo</span></td>
<td><b>+7.855,07 m² — cerca de 50 lotes</b></td>
</tr>
<tr>
<td><span style="font-weight: 400;">Impacto no VGV</span></td>
<td><b>≈ +4,5%</b></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-weight: 400;">Quatro e meio por cento pode soar modesto. Duas coisas colocam o número em perspectiva.</span></p>
<p><b>Primeira: custou zero.</b><span style="font-weight: 400;"> Não houve investimento adicional, compra de área, obra extra ou contrapartida. É VGV que já estava dentro do terreno, esperando alguém que realmente entenda sobre aprovação de loteamentos.</span></p>
<p><b>Segunda, e mais importante: o ponto de partida era negativo.</b><span style="font-weight: 400;"> O cenário original não era &#8220;ficar como está&#8221;, era </span><b>perder</b><span style="font-weight: 400;"> lotes para acomodar as lagoas. A distância real entre os dois desfechos é maior que 4,5%.</span></p>
<h3><b>O que isso significa para o seu terreno</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Um aviso necessário: </span><b>isto não é receita.</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Resolução SIMA 80 vale para todo o estado de São Paulo. Mas a redução da área verde de 20% para 15% é uma lei Municipal. Outro município pode não ter essa previsão ou pode ter uma diferente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde que a Lei 9.785/1999 revogou o antigo mínimo federal de 35%,</span> <span style="font-weight: 400;">cada município define seus próprios percentuais e suas próprias regras de destinação</span><span style="font-weight: 400;">. O seu município exige o que a lei dele disser e pode ter exceções que passam despercebidas de quem não lê a legislação inteira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que viaja de um caso para outro não é o número. É a pergunta: </span><b>quais áreas da sua gleba foram riscadas do mapa sem que ninguém verificasse o que a legislação permite computar?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As candidatas mais frequentes:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Faixas de servidão</b><span style="font-weight: 400;"> de linhas de transmissão, gasodutos e oleodutos,  expressamente previstas na SIMA 80</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Lagoas de detenção</b><span style="font-weight: 400;"> que podem compor a </span><b>área permeável</b><span style="font-weight: 400;"> quando denominadas área institucional e garantida a permeabilidade</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Áreas ajardinadas do sistema de lazer</b><span style="font-weight: 400;">, lagos e espelhos d&#8217;água</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Faixas de domínio</b><span style="font-weight: 400;"> e faixas </span><i><span style="font-weight: 400;">non aedificandi</span></i></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">E uma que </span><b>não</b><span style="font-weight: 400;"> conta, para evitar o erro no sentido contrário:</span><a href="https://app.habitacao.sp.gov.br/ManualGraprohab/21PlantaUrbanisticaAmbiental.html" target="_blank" rel="noopener"> <span style="font-weight: 400;">o Manual do GRAPROHAB é explícito</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao excluir </span><b>taludes</b><span style="font-weight: 400;"> do cômputo de </span><b>área permeável</b><span style="font-weight: 400;">, assim como calçadas, pisos drenantes, rotatórias e canteiros centrais do sistema viário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Otimizar não é forçar. É saber exatamente o que a norma permite — e o que ela não permite.</span></p>
<h3><b>Aprovar é o piso, não o teto</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O projetista anterior não errou uma conta. O desenho dele estava tecnicamente correto e teria sido aprovado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele apenas não tinha conhecimento da legislação como um todo, da aprovação ou dos projetos de forma integrada. E o resultado seria um loteamento aprovado, funcional e mais pobre do que podia ser, sem que ninguém jamais soubesse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É por isso que, na Athom, urbanismo, engenharia e leitura regulatória sentam na mesma mesa. Quem dimensiona a drenagem precisa saber o que a lei permite computar. Quem lê a lei precisa entender o que aquilo significa em lote vendido. E o problema precisa poder chegar à reunião de equipe antes de virar prejuízo do cliente.</span></p>
<p><b>Tudo para o seu loteamento em um só lugar.</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Perguntas frequentes</b></h2>
<p><b>Faixa de linha de alta tensão pode ser computada como área permeável?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No estado de São Paulo, sim. A Resolução SIMA 80/2020 prevê expressamente as áreas de servidão administrativa de linhas de transmissão entre as que compõem a </span><b>área permeável</b><span style="font-weight: 400;">, desde que garantida a permeabilidade, e limitadas a 50% do total exigido.</span></p>
<p><b>Precisa de autorização da concessionária de energia?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o simples cômputo no quadro de áreas, sem qualquer intervenção física, não. A anuência é exigida quando há intervenção na faixa — travessia de via, implantação de rede ou equipamento.</span></p>
<p><b>Qual o percentual de área permeável exigido?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pela SIMA 80, no mínimo 20% da área total do empreendimento — e faixas de servidão de linhas de transmissão podem entrar nesse cômputo até o teto de 10% da gleba. Atenção: área permeável (índice ambiental do estado) e área verde (destinação exigida pelo município) são exigências distintas.</span></p>
<p><b>Área verde e área permeável são a mesma coisa?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não, e a confusão custa lote. Área verde é uma destinação do quadro de áreas, doada ao município. </span><b>Área permeável</b><span style="font-weight: 400;"> é um índice ambiental — solo que infiltra. Toda área verde é computada como permeável, mas nem toda área permeável é área verde.</span></p>
<p><b>Talude conta como área permeável?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não. O Manual do GRAPROHAB exclui expressamente os taludes do cômputo, mesmo que inseridos em área verde, lote ou sistema viário.</span></p>
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